terça-feira, 31 de março de 2015

A ALMA DE DALUZINHA


A alma de Daluzinha deve ser bem diferente
Deve ter cor de céu
Cheiro de talco para bebê
Veste-se com mantas largas,  sob as quais trás as histórias
Daluzinha, Daluzinha! Seu nome é uma canção!
Que embala criança de colo,  que afugenta bicho-papão, que é capaz de tirar o pavão de cima do telhado!
A alma de Daluzinha, sempre imortal, perene, lúdica!
Se caminha pelas praias, as ondas quebram-se umas sob as outras para ouvi-la contar
Histórias de sereias e botos cor de rosa.
Se adentra o sertão, toda a caatinga fecha seus espinhos para que a alma de Daluzinha,
A própria,  mais bela do que Maria Bonita, mais nobre que Lampião, fale  sob a copa de uma caibreira em flor as histórias de Trancoso.
Daluzinha, alma que nos encanta, mulher que nos cativa em gaiolas de palavras, por instantes prazerosos.
Salve Daluzinha, salve a poesia, salve a mulher.

Francisco Martins

Parnamirim-RN, 31 de março 2015